Redação

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01/09/2026

São 22h de uma quinta-feira de janeiro. Uma trovoada forte cai sobre a Zona Sul de São Paulo, e nos grupos de WhatsApp dos condomínios da região se repete a mesma pergunta: “o para-raios do prédio está funcionando?” Na maioria dos casos, ninguém sabe responder com certeza. É exatamente esse ponto cego que a lei tenta fechar: a manutenção do SPDA, o sistema de para-raios do prédio, é obrigatória em todo condomínio de São Paulo. Três referências definem essa obrigação: a NBR 5419, o Decreto Estadual 69.118/2024 e a Instrução Técnica IT-41 do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo (CBPMESP). Na prática, isso significa manter um laudo técnico assinado por engenheiro com ART, renovado dentro do prazo. É esse documento que o Corpo de Bombeiros cobra na renovação do AVCB.

O que é o SPDA e por que ele é obrigatório

O SPDA não impede que o raio caia. Na verdade, sua função é controlar para onde a energia da descarga elétrica será direcionada. Dessa forma, evita que essa energia percorra a estrutura do prédio, o quadro elétrico ou os elevadores e, consequentemente, encontre um caminho mais perigoso.

O sistema é formado por cinco elementos:

  • Captores: hastes, cabos ou malhas instalados no topo do edifício, que recebem a descarga
  • Condutores de descida: cabos ou barras metálicas que levam a corrente até o solo
  • Aterramento: eletrodos enterrados que dissipam a energia com segurança
  • Equipotencialização: conexões que igualam o potencial elétrico entre as partes metálicas da estrutura
  • Dispositivos de proteção contra surtos (DPS): protegem elevadores, portões, câmeras e instalações elétricas internas de picos de tensão

Glossário rápido SPDA: Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas, o para-raios do prédio. ART: Anotação de Responsabilidade Técnica, registrada no CREA pelo engenheiro responsável. AVCB: Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros. DPS: Dispositivo de Proteção contra Surtos.

O Artigo 25 do Decreto Estadual 69.118/2024, que regulamenta a segurança contra incêndio em São Paulo, é direto:

“As edificações e áreas de risco deverão ter suas instalações elétricas e sistema de proteção contra descargas atmosféricas, SPDA, executados de acordo com as prescrições das normas brasileiras oficiais.”

Isso inclui condomínios residenciais, sem exceção de porte ou idade do prédio. Se o seu ainda não tem um plano estruturado de manutenção, vale começar por o que não pode ficar de fora na manutenção predial.

O que a lei exige, na prática?

Três documentos formam a base legal da exigência, e cada um cumpre um papel diferente.

A NBR 5419 é a norma técnica da ABNT que define como o SPDA deve ser projetado, instalado e inspecionado. É nela que estão os critérios técnicos usados pelo engenheiro responsável.

O Decreto Estadual 69.118/2024 é o regulamento de segurança contra incêndio de São Paulo. Ele transforma a exigência técnica da NBR 5419 em obrigação legal para toda edificação do estado.

A Instrução Técnica IT-41, do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, detalha a inspeção das instalações elétricas de baixa tensão. O item 5.1.9 exige que o SPDA esteja em conformidade com a NBR 5419, e essa inspeção entra na renovação do AVCB de condomínios residenciais.

Sem o laudo do SPDA em dia, o condomínio não renova o AVCB. Veja o passo a passo completo em Tudo sobre Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).

Com que frequência o SPDA precisa ser inspecionado?

A frequência de inspeção depende do tipo de vistoria e da classe de risco do prédio.

Tipo de inspeçãoFrequênciaQuando se aplica
VisualAnualTodos os condomínios
CompletaDe 1 a 3 anos, conforme a classe de riscoResidencial padrão: geralmente a cada 3 anos. Risco elevado (posto de combustível ou indústria química no entorno, área litorânea): a cada 1 ano
ExtraordináriaImediataApós reforma no telhado, queda de raio direta ou acionamento do DPS

Atenção: na prática, o Corpo de Bombeiros de São Paulo costuma exigir a renovação anual do laudo para fins de AVCB, independentemente da classe de risco do prédio. Por isso, vale confirmar esse prazo diretamente no processo de AVCB do condomínio, porque ele pode ser mais rígido do que o intervalo técnico da norma.

Um adendo importante: a NBR 5419 está em revisão pela ABNT, em fase de consulta nacional. Até a publicação da nova edição, vale a versão atual da norma, e é ela que deve orientar o laudo do seu condomínio.

De quem é a responsabilidade: o síndico responde pessoalmente?

A manutenção das áreas e sistemas comuns do condomínio, incluindo o SPDA, é dever legal do síndico, previsto no artigo 1.348 do Código Civil. Isso não significa que o síndico paga a conta do próprio bolso, mas significa que a responsabilidade de garantir que a manutenção aconteça é dele.

SituaçãoQuem responde
Indenização por sinistro cobertoCondomínio, via rateio ou seguro
Ação de regresso por negligência comprovadaSíndico, pessoalmente
AVCB pendente por documentação vencidaSíndico, como representante legal do condomínio

Um cenário comum: um condomínio da Zona Oeste passa por uma vistoria de rotina do Corpo de Bombeiros e descobre que o laudo do SPDA venceu há oito meses. O AVCB fica pendente, a seguradora abre um processo de reavaliação da apólice, e o síndico, que havia assumido o cargo poucos meses antes, se vê respondendo por uma omissão que não era dele. É um cenário evitável, e é exatamente o que um laudo em dia impede. Para entender o alcance completo dessas obrigações, veja 5 fatos para entender as obrigações do síndico no condomínio.

Esse é um dos motivos pelos quais a gestão profissional de condomínios da Auxiliadora Predial inclui o controle de vencimentos de laudos técnicos, entre eles o do SPDA, dentro do planejamento anual de manutenção preventiva. Isso tira do síndico a tarefa de acompanhar prazos manualmente e reduz a chance de um vencimento passar despercebido justamente na virada de gestão.

O que acontece se o laudo do SPDA vencer?

Um laudo vencido gera três riscos, e eles acontecem ao mesmo tempo:

  • AVCB pode não ser renovado, deixando o condomínio em situação irregular perante o Corpo de Bombeiros
  • Seguro do condomínio pode negar cobertura em caso de sinistro por raio ou incêndio, porque a apólice normalmente exige laudo de SPDA válido
  • Síndico e condomínio ficam mais expostos juridicamente em caso de acidente

O mesmo raciocínio vale para outros sinistros climáticos: seguros cobrem danos de enchentes? explica como funciona a cobertura contra eventos do clima no seguro do imóvel.

Quanto custa a manutenção do SPDA em um condomínio?

Não existe um valor fixo de mercado, pois o preço depende de diversos fatores. Entre eles, estão o porte do edifício, o tipo de sistema utilizado — como captores tipo Franklin ou gaiola de Faraday — e a dificuldade de acesso aos pontos de captação no telhado. Ainda assim, é possível trabalhar com uma referência de preço:

  • Vistoria pontual: gira em torno de R$ 400, incluindo o laudo técnico assinado por engenheiro, segundo levantamento do Sindiconet
  • Adequação de um sistema desatualizado às exigências da NBR 5419: costuma variar entre R$ 3.000 e R$ 6.000 para condomínios com documentação em dia. Prédios sem histórico de manutenção tendem a pagar mais, porque a correção de não conformidades acumuladas é mais extensa

Esses valores são referência, não orçamento fechado. Peça cotação de pelo menos duas empresas especializadas antes de aprovar em assembleia, e desconfie de preço muito abaixo da média: SPDA malfeito sai mais barato agora e mais caro depois, seja em reforma emergencial, seja em negativa de seguro. Se o condomínio também terceiriza outras frentes de manutenção, vale revisar terceirização de mão de obra em condomínio: principais desafios antes de fechar contrato.

Por que agosto e setembro são os melhores meses para agendar a manutenção?

A temporada de chuvas e raios no Brasil vai de outubro a março, com pico no fim do verão. Cidades grandes e densamente urbanizadas, caso de São Paulo, registram maior incidência de raios e tempestades mais intensas nos últimos anos, segundo levantamentos do INPE e do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT).

Agendar a inspeção do SPDA entre agosto e setembro, de 30 a 60 dias antes do início da temporada, evita dois problemas comuns: a fila de engenheiros especializados na alta temporada e o prédio ficar exposto justamente no início do período de maior risco. Esse tipo de antecipação faz parte de um planejamento de manutenção predial mais amplo, que prioriza o que precisa ser feito antes de virar emergência.

Passo a passo para colocar o SPDA do condomínio em dia

  • Localize o último laudo do SPDA e verifique a data de validade
  • Contrate um engenheiro com registro no CREA para a inspeção e a emissão da ART
  • Corrija as não conformidades apontadas no laudo, como corrosão nos captores, falhas de continuidade ou aterramento fora do padrão
  • Arquive o laudo e a ART junto com a documentação do AVCB do condomínio
  • Inclua a próxima inspeção no planejamento anual de manutenção, para não depender de lembrar a data manualmente

Para organizar as demais manutenções do prédio no mesmo ritmo, veja como fazer manutenção preventiva em condomínios em 6 passos.

Um raio não avisa antes de cair, mas a lei já avisou o que o seu condomínio precisa ter pronto. Colocar o SPDA em dia antes de outubro é uma das manutenções mais baratas de antecipar e uma das mais caras de negligenciar. Se você não sabe ao certo se o laudo do seu prédio está válido, essa é a pergunta para levar à próxima reunião de síndico, antes que a próxima trovoada faça isso por você.

Perguntas frequentes

SPDA é obrigatório em todo condomínio de São Paulo? Sim. O Decreto Estadual 69.118/2024 exige que toda edificação em São Paulo tenha SPDA em conformidade com a NBR 5419, e a IT-41 do Corpo de Bombeiros cobra esse item na renovação do AVCB.

Quem paga a manutenção do SPDA? É despesa ordinária do condomínio, rateada entre os condôminos, porque se trata de manutenção de um sistema de uso comum do prédio.

O que é ART e por que ela é obrigatória no laudo? ART é a Anotação de Responsabilidade Técnica, registrada no CREA pelo engenheiro responsável pela inspeção. Sem ela, o laudo não tem validade legal perante o Corpo de Bombeiros.

O síndico pode ser responsabilizado por um acidente causado por para-raios sem manutenção? Sim. Como a manutenção das áreas comuns é dever legal do síndico, a omissão comprovada pode resultar em responsabilização civil e, em casos graves, criminal.

Com que frequência renovar o laudo do SPDA? O intervalo técnico varia de 1 a 3 anos, conforme a classe de risco do prédio. Na prática, porém, o Corpo de Bombeiros de São Paulo costuma exigir renovação anual do laudo para fins de AVCB.

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